miércoles, 17 de noviembre de 2010

Crítica: álbum "2" do Dissonantes


O Dissonantes é, sem dúvida, uma das melhores bandas de rock já surgidas em Curitiba. "Casino", o primeiro CD deles, é uma obra-prima na qual todas as canções são soberbas. Trata-se de uma banda claramente influenciada pelos Faichecleres: a matriz é mod, beatle e anos 60, mas comparado à lendária banda dos irmãos Caruso tem um som menos "picante", com letras mais inocentes, baterias e guitarras mais contidas, o que de maneira alguma a torna menor que eles. "Casino" é praticamente um tributo à fase "Love Me Do" dos Beatles, um excelente tributo.

Em relação ao álbum anterior, pareceu-me que a banda amadureceu musicalmente ao produzir um som mais elaborado, mais diversificado, mais eclético. Infelizmente, porém, isso não significa que o som seja melhor aos ouvidos de quem apreciou "Casino". A primeira impressão foi de estranheza: mesmo sem achar que uma banda deva fazer álbuns copiados uns dos outros, de algum modo achei que algo não estava legal. Após uma semana ouvindo, o crítico que aqui escreve não se acostumou com muitas das novas músicas. Há quatro excelentes canções: "Boxer", "Girl", "Dois Em Um" e "O Que Ela Quer", verdadeiras pérolas de criatividade e bom gosto. Já as outras, no entanto, soaram chatas. De maneira geral, a banda deixou de lado um elemento mais "retrô" e optou por uma linha mais pop rock com "Agosto" ou "Em Sua Órbita", esta última sem graça, com letra e vocais enjoados. A faixa 5, "No Seu Lugar", parece uma obra de bandas imbecis como Fresno, NX Zero ou CPM 22. O Dissonantes está muito além delas.

As quatro músicas citadas acima são realmente muito boas, e há uma sensação de que elas poderiam ser adicionadas ao "Casino" para que no final surja um maravilhoso e único álbum de dezesseis músicas, esquecendo-se das outras para que não influenciem nos trabalhos futuros desta promissora banda. Ao tentar buscar um som menos ligado aos anos 60, o Dissonantes tenta abrir caminhos no mercado mas afasta-se demais de sua proposta original, sem contribuir para a riqueza de sua bela discografia.

martes, 13 de abril de 2010

Retrometamorfose


A morte do Ivo foi chocante mesmo, muito mais pelo seu significado que pelo fato propriamente dito, pois todos sabíamos que era um artista que, há muitos anos, estava na beira do precipício. Fábio Elias, no entanto, conseguiu roubar a cena, pois deixou todos perplexos com sua metamorfose, na qual incrivelmente borboletas viram lagarta. E que lagarta ridícula. Ontem afirmei que ele tira sarro de música sertaneja e dele mesmo. Hoje vejo, com mais lucidez, que seu intento foi muito mais grave, pois ele tira sarro de mim, um amante do rock e que sempre sonhou em ver em minha cidade as melhores bandas do mundo. Tira sarro de Curitiba, pois esfrega na cara de todos que o rock é coisa para perdedores por estas bandas. Quer dizer que o rock é coisa do passado para os curitibanos. Tira sarro do Relespública, banda de incrível trajetória na cena alternativa, conhecida nacionalmente, e que deu a ele tudo que ele tem hoje. No vídeo "Parei", ele ousa se mostrar com as mesmas costeletas do tempo do Reles. Não desejo mal às pessoas, acho inclusive que F.E. é um boa praça, mas espero que sua carreira no sertanejo encontre o fim num retumbante fracasso.

lunes, 12 de abril de 2010

Sarro de quem?


Acabo de ver uma das coisas mais ridículas que já presenciei em 30 anos de decepções e amores não correspondidos. Ver uma figura como Fábio Elias, roqueiro consagrado, cantando música sertaneja, beira a esquizofrenia. Os vídeos são muito mais que ridículos, tanto para quem o vê pela primeira vez, quanto para quem o conhece de sua longa trajetória no rock and roll. Fiquei constrangido ao ver seu vídeo "Parei", e o sentimento que mais me marcou foi a pena. Pena porque está muito óbvio de que o sertanejo nada tem a ver com sua figura. Em que pese minha falta de apreço pelo gênero, as canções são ruins, parecem cópias mal-feitas daquela que tocam nas piores FM ou nas lojas populares do Centro. Além disso, Fábio Elias é feio. Tem a cara redonda, olhar esquisito, nenhuma pinta de galã. Não se sabe se está tirando sarro de música sertaneja ou de si mesmo, mas não creio que essa brincadeira vá muito longe. E eu gostava do Reles.

jueves, 8 de abril de 2010

O Blindagem é o nosso Stones

Uma notícia muito triste para nós frequentadores da noite e amantes do bom rock. Líder do Blindagem, o indefectível Ivo Rodrigues teve o mesmo destino de seu parceiro de composições Leminski, e pelos mesmos motivos relacionados com o órgão que mais sofre ao nos expormos à bebedeiras. Apesar de seu jeitão caipira, o rock desta banda era o que mais chegou perto de ser uma expressão musical unânime no Paraná. Musicalmente outras foram melhores, mas esses caras sobreviveram por mais de trinta anos, fazendo uma música autêntica, com estilo próprio. Fora o lendário Pelebrói, nunca soube de banda alguma, em solo curitibano, que fosse original. Nos últimos tempos, é certo, Ivo e companhia viveram de passado, pois a obra parece ter cessado nos anos 80. Entretanto, há bandas como o ACDC que também fazem o mesmo, e ainda são endeusados (com justiça) por todo o mundo. A despeito das imperfeições, o Blindagem é o nosso Stones, e a morte de Ivo tem a mesma magnitude do falecimento de Jagger para a terra dos pinheirais.